Lands of Risk


Carlos Vidal, 2011


The present proposal by Pedro Vaz, a video installation that consists of a simultaneous projection on three screens, is entitled "Terras de Risco”. This title encloses much of the significance and elaboration/production (way of doing) of the oeuvre. Because the title is the name of the place shown, but mainly because the name of the work illustrates the experience of the author; in this crucial way: nature emerges of the work only when the author immerges itself in it.

In the always multimodal works of Pedro Vaz (the simultaneous recurrence of drawing, painting, video, video installation and here, in a sense, in the recurrence of something which we shall nominate a "performative fotovideographic document ") there is always a hand-to-hand fight with nature, in a way that it is not only a resulting image of the means employed (a cultural image), but a determining factor. The images of the author are born within nature, the author allows nature to produce and reproduce within him, there is a ritualistic dimension in this work (when nature "possesses" the author) - and we can even say that Pedro Vaz lets  himself be possessed by nature (the cited ritual), leaving the result of that possession for the viewer to contemplate . However, if the viewer has a role of a contemplative nature, the author is active-passive: he acts on nature and it acts on him. Let's look more closely at this "Terras de Risco".

First, the author’s immersion is literal, his body is in fact immersed in a river, travelling it upstream (which doubles on him the sensation of immersion, effort, struggle and clearing). Water lands at times on his head, although it is more frequently at knee level. In the water, the author takes a step, and step by step he executes the same gestures: producing three photographs (black and white), a frontal one, another documenting what he sees on his left side, and the other his right side, making records that cover his whole angle of sight. The final result is a slideshow, where the photographic images unfold in a film constituted by static sequential images. Millimeterically sequential, of a phantasmagoric and incantatory effect.

Over the 15 minutes of work almost nothing seems to happen, when you look at it in real time (meaning, "non- natural”). It takes a different temporality to understand this artwork: let's call it "natural temporality”, which means that we must stick our eyes on the screen and then see nature arise, transforming. A transformation that is the figuration of the author's own journey in the "Terras de Risco”, virginal, unexplored and for clearing and cleared.


Terras de Risco


Carlos Vidal, 2011


A presente proposta de Pedro Vaz, uma instalação vídeo que consta de uma projecção simultânea em três ecrãs, intitula-se “Terras de Risco”. Este título encerra grande parte da significação e realização/produção (modo de fazer) da obra. Porque o título é o nome do lugar mostrado, mas, sobretudo, porque este nome da obra ilustra a própria experiência do autor; deste modo crucial: a natureza só emerge da obra se e quando o autor nela imerge.

Na obra desde sempre multimodal de Pedro Vaz (na recorrência simultânea ao desenho, pintura, vídeo, videoinstalação e aqui, de certo modo, na recorrência a algo que denominaremos “documento fotovideográfico performativo”) há sempre uma luta corpo-a-corpo com a natureza, na medida em que esta não é apenas a imagem resultante dos meios empregues (uma imagem cultural), mas é um factor determinante. Ou seja, as imagens do autor nascem de dentro da natureza, o autor permite que a natureza nele se produza e reproduza, há uma dimensão ritualística neste trabalho (quando a natureza “possui” o autor) – e podemos mesmo dizer que Pedro Vaz se deixa possuir pela natureza (o citado ritual), deixando a resultante dessa possessão para o espectador contemplar. Ora, se o espectador tem um papel aqui de natureza contemplativa, o autor é activo-passivo: age na natureza e esta age nele. Vejamos mais de perto este “Terras de Risco”.

Em primeiro lugar a imersão do autor é literal: o seu corpo está, de facto, imerso num riacho, percorre-o contra a corrente (o que redobra nele a sensação de imersão, esforço, luta, desbravamento). A água chega, por vezes, à altura da sua cabeça, apesar de mais frequentemente se quedar à altura dos joelhos. Dentro de água, o autor dá um passo, e de passo a passo executa os mesmos gestos: produz três fotografias (preto e branco) – uma frontal, outra documentando o que vê do lado esquerdo, e outra o lado direito, fazendo com que os registos cubram todo o seu ângulo de visão. O resultado final é o de um diaporama, onde as imagens fotográficas se desdobram num filme constituído por imagens fixas sequenciais. Milimetricamente sequenciais, de efeito fantasmagórico e encantatório.

Ao longo dos 15 minutos da obra quase nada parece acontecer, se a observarmos em tempo real (ou seja, “não-natural”). É preciso uma outra temporalidade para compreender esta obra: vamos chamar-lhe “temporalidade natural”, o que significa que temos de fixar os olhos no ecrã e aí ver a natureza surgir, transformar-se. Transformação que é a figuração do percurso do próprio autor nas “Terras de Risco”, virginais, por desbravar e desbravadas.

 

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